Nem nos piores sonhos, Cintia e Welyton, imaginariam que o nascimento do seu segundo filho, uma menino, no dia 4 de maio de 2026, no Hospital Regional Tibério Nunes, em Floriano, se tornaria um pesadelo que jamais irão esquecer. O parto realizado através de cesárea ficará marcado para sempre na vida dessa família. Durante o procedimento, a criança que mal chegou ao mundo sofreu uma fratura no fêmur, transformando o momento de alegria em dor e preocupação para o jovem casal.
Segundo relato da mãe, o médico responsável pelo parto, teria puxado uma das pernas da bebê durante a cesariana e, nesse momento, o pai ouviu um estalo (também percebido por toda a equipe presente no centro cirúrgico). O próprio médico informou à mãe que a recém-nascida precisaria ser observada, já que houve dificuldade para retirá-la, e recomendou a realização de um raio-x para avaliação.
No quarto, os pais perceberam que a perna da bebê começou a inchar rapidamente e que ela chorava intensamente a cada movimento. Apesar da gravidade, o exame de raio-x só foi realizado dois dias após a fratura, quando um ortopedista finalmente avaliou a criança. Nesse intervalo, enfermeiras teriam tentado diversas vezes entrar em contato com o especialista, mas não obtiveram retorno.
Além da lesão, a família relata dificuldades para conseguir documentos essenciais, como o prontuário médico da bebê, o que tem intensificado a sensação de desamparo. Segundo a mãe, Cíntia Maria Soares, o sentimento é de revolta. "Como mãe, não vou esquecer nunca, porque deixou marcas físicas na minha filha e mais profundas em mim.”
Já o pai, Welyton Izaky, também expressou indignação. “Foi uma irresponsabilidade muito grande. Eles deveriam tratar todo mundo com cuidado e amor. Ver o que aconteceu com minha filha me deixa revoltado. É de cortar o coração. Nós precisamos de apoio e não tivemos. Fomos tratados como nada. Queremos justiça". Para ajudar a esposa com a filha, o vendedor teve que deixar o serviço e está, no momento, desempregado.
Dias após a retirada do gesso, a criança precisou utilizar um suspensório adquirido com recursos próprios, permanecendo com o acessório por um mês e onze dias. Segundo os pais, o equipamento chegou a ferir a bebê. “Está evoluindo bem, graças a Deus, mas ainda sente alguma dor. Não sabemos se vai ficar alguma sequela. E aí vêm outros gastos com acompanhamento médico e fisioterapia”, relatou a mãe.
De acordo com a advogada Kaliandra Rabelo, situações como essa podem ser enquadradas como violência obstétrica, definida no Brasil como qualquer ação ou omissão que cause dano físico, emocional ou psicológico à gestante ou ao bebê durante a gestação, parto ou pós-parto. "No caso em Floriano, tanto a fratura durante o parto quanto a demora no atendimento e a dificuldade de acesso às informações médicas configuram violência obstétrica física e institucional", explica.
A família segue em busca de responsabilização e esclarecimentos. É precisa também questionar os protocolos adotados no Hospital Regional Tibério Nunes, bem como a necessidade de fiscalização e transparência nos serviços de saúde de uma dos maiores hospitais do Piauí.
O espaço segue aberto para que a Direção do Hospital Tibério Nunes possa se manifestar e dar sua versão dos fatos.








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