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Negligência resulta em morte de vaqueiro de áudio viral: “Sai de problema, moço!”

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A BR-343, no trecho que liga Floriano a Jerumenha, tornou-se palco de uma tragédia marcada por negligência e abandono. No dia 5 de dezembro de 2025, o vaqueiro Antônio Henrique Pereira, o “Antônio de Biu”, de 49 anos, saiu de casa por volta das 3h45 da manhã para trabalhar, conduzindo sua motocicleta. Às 4h46, em meio à escuridão, tempo nublado e pouca visibilidade, foi surpreendido por crateras abertas na pista, consequência direta de uma obra abandonada e da ausência de sinalização. O impacto provocou traumatismo craniano grave e múltiplas fraturas. Encontrado por populares, foi levado de forma improvisada na carroceria de um carro, sob chuva intensa, até ser socorrido por uma ambulância que passava pela região e encaminhado ao hospital de Jerumenha.

Lá, segundo relatos da família, houve negligência médica: o plantonista não realizou exame nem procedimentos básicos de emergência, e Antônio foi transferido para Floriano sem acompanhamento médico, apenas com uma técnica de enfermagem, apesar dos sinais evidentes de traumatismo craniano. Na UPA de Floriano, o atendimento demorou, e só depois ele foi levado ao Hospital Regional Tibério Nunes, onde passou por uma craniotomia de alta complexidade. Após oito dias na UTI, não resistiu e faleceu em 13 de dezembro.

Natural da Paraíba, Antônio chegou a Floriano ainda bebê. Casado há mais de 20 anos com Teresinha, deixou 12 filhos e era amplamente conhecido como vaqueiro, amante da vaquejada e organizador da tradicional corrida do Bairro Cajueiro 2, além de eventos de corridas de Prado em Floriano e região. Homem honesto e trabalhador, era querido pela comunidade, e sua voz simples e bem-humorada ganhou repercussão nas redes sociais após um áudio espontâneo em que aconselhava o amigo João Paulo a evitar confusões em vaquejadas. “Rapaz tu se sai de problema, moço”, dizia. 

A família afirma que a morte não foi uma fatalidade, mas resultado direto da negligência do DNIT, responsável pela manutenção da rodovia federal, que permanece em condições perigosas, sem sinalização e com obras abandonadas em pleno período chuvoso. Para os familiares, o acidente poderia ter sido evitado se houvesse cumprimento da obrigação básica de garantir segurança viária. Eles cobram responsabilização para que a morte de Antônio Henrique Pereira não seja apenas mais um número, mas um marco de alerta contra os riscos que a BR-343 continua impondo diariamente a quem trafega pela região.

Denilson Avelino - Portal Ôxen?!

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