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Campanha do Governo do Piauí gera polêmica por conteúdo considerado racista

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Em outubro de 2025, uma campanha publicitária divulgada pelo Governo do Estado do Piauí para celebrar o aniversário do estado gerou intensa controvérsia ao ser acusada de promover conteúdo racista. O vídeo, produzido pela Secretaria de Comunicação, fazia parte da divulgação do programa “Meu Celular de Volta”, voltado à recuperação de aparelhos roubados. A peça mostrava um jovem branco caminhando pela rua enquanto escutava música, sendo abordado por dois rapazes negros que furtam seu celular. A cena termina com a prisão dos jovens e o agradecimento da vítima à polícia.

A repercussão foi imediata. O vídeo foi inicialmente compartilhado nas redes sociais pelo governador Rafael Fonteles, mas rapidamente foi alvo de críticas e acabou sendo removido. A Secretaria de Comunicação alegou que o conteúdo foi inspirado em um filme piauiense e contou com influenciadores locais, negando qualquer intenção racista. No entanto, diversos setores da sociedade civil, movimentos sociais e figuras públicas se manifestaram contra a campanha, acusando o governo de reforçar estereótipos raciais e associar pessoas negras à criminalidade.

O senador Ciro Nogueira classificou o vídeo como preconceituoso e vergonhoso, afirmando que a propaganda “diz que a culpa da violência é das pessoas negras e pobres”. Coletivos ligados à pauta racial também se manifestaram, destacando que a peça ignora o contexto social e histórico da marginalização racial no Brasil e reforça narrativas que contribuem para o racismo estrutural.

Apesar da retirada do vídeo, o governo manteve a defesa do programa “Meu Celular de Volta”, destacando avanços na segurança pública e a importância da tecnologia para rastrear aparelhos roubados. No entanto, não houve pedido formal de desculpas ou reconhecimento público do erro na abordagem da campanha.

O episódio reacendeu o debate sobre a responsabilidade dos governos na produção de conteúdo institucional e a necessidade de representatividade racial consciente. Especialistas em comunicação e direitos humanos apontam que campanhas públicas devem evitar reforçar estereótipos e promover narrativas inclusivas, especialmente em estados como o Piauí, onde a população negra e parda representa a maioria.

Metropoles.com

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