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Operações secretas da CIA: tensão sem precedentes pode levar à guerra entre Venezuela e EUA?

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A confirmação do presidente dos Estados UnidosDonald Trump, de que autorizou a agência de inteligência CIA a conduzir "operações secretas" dentro da Venezuela pode ser um ponto de inflexão grande nas relações Estados Unidos-Venezuela — com Washington mostrando que está disposto a escalar a tensão a níveis inéditos.

Durante uma entrevista no Salão Oval da Casa Branca na quarta-feira (15), Trump reafirmou que os EUA "estão analisando operações em terra" para combater operações de narcotráfico com origem na Venezuela que, segundo ele, ameaçam a segurança nacional dos Estados Unidos. 

Até agora, os EUA vêm realizando apenas operações marítimas contra embarcações próximas ao litoral da Venezuela.

Apesar do papel minoritário da Venezuela no tráfico de drogas com destino aos EUA, forças americanas afundaram pelo menos cinco barcos acusados de transportar drogas próximo à costa venezuelana nas últimas semanas, matando 27 pessoas. Especialistas em direitos humanos nomeados pela ONU criticaram as ações como "execuções extrajudiciais".

A declaração mais recente de Trump indica que o conflito pode entrar agora em uma fase "terrestre" — mas não deixa claro o que seria essa fase.

Já a ativista de oposição venezuelana, María Corina Machado — que vive escondida desde o ano passado e na semana passada ganhou o Prêmio Nobel da Paz —, afirmou neste mês que o conflito partia para uma "fase de resolução".

O governo americano não divulgou detalhes sobre que tipos de operações poderia estar planejando para a Venezuela.

O histórico de ações da agência na América Latina e no mundo inclui sabotagens, infiltrações e campanhas de desestabilização.

O que se sabe é que o governo americano vem aumentando a pressão ao crime organizado venezuelano — e até mesmo acusando o governo venezuelano de apoiar esses grupos.

Em fevereiro deste ano, o Departamento de Estado classificou a organização "Tren de Aragua" como grupo terrorista.

O governo Trump chegou a acusar o próprio Maduro de comandar a organização criminosa, embora documentos da própria inteligência americana obtidos pela Freedom of the Press Foundation diga que não há evidências disso.

Mas ainda não se sabe qual seria o alcance da ação da CIA na Venezuela. Será que uma ação da CIA autorizada por Trump poderia, por exemplo, levar ao assassinato de membros desse grupo? Ou até mesmo executar uma chamada "operação de bandeira falsa" — um ato hostil feito apenas para culpar Maduro e justificar uma operação militar?

Sabe-se que há décadas atrás, em outros momentos histórico, a CIA já cogitou atos semelhantes. Documentos americanos mostram que em 1962 a agência propôs orquestrar atos de terrorismo contra alvos americanos para culpar Cuba e justificar uma guerra — em uma operação conhecida como Northwoods, que nunca foi adiante.

G1.globo.com

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