Os candidatos aprovados no concurso público da Prefeitura de Bertolínia, sul do Piauí, realizado em agosto de 2024, denunciam uma série de manobras políticas para impedir a homologação e convocação dos aprovados e classificados. O certame ofertou 48 vagas para diversos cargos, mas até hoje os aprovados não puderam assumir seus postos.
Tudo começou após um candidato questionar a ausência de cotas raciais no edital junto ao Ministério Público (MP). Mesmo com o resultado divulgado em novembro, o então prefeito Geraldo Fonseca se recusou a homologar o concurso, alegando possível risco jurídico. Quando Rodrigo Martins (PSD) assumiu a gestão, o impasse continuou, já que o MP ainda realizava consultas a órgãos internos.
Após sete meses de análises, o MP decidiu arquivar a denúncia sobre cotas, reconhecendo que não havia irregularidade. Apesar disso, a Prefeitura de Bertolínia continuou a lotar cargos por meio de contratações precárias e apadrinhamento político, prática que foi alvo de recomendação do próprio MP para exoneração imediata e homologação do concurso.
O cenário se agravou quando quatro contratados da Prefeitura, que não foram aprovados nem classificados no concurso, entraram com uma ação popular pedindo a suspensão do certame, mas o juíz da comarca de Manoel Emídio indeferiu o pedido. No último dia 26 de agosto de 2025, o desembargador Manoel de Sousa Dourado acatou o pedido e suspendeu o concurso até julgamento definitivo da legalidade do edital.
Na decisão, o magistrado citou a ausência de cotas como afronta à Constituição e à legislação que trata da reserva de vagas, alegando risco de dano ao erário caso o concurso seja homologado e depois anulado.
Para os aprovados, a situação é escandalosa. “É revoltante ver pessoas que sequer passaram no concurso travando o direito de quem estudou, enquanto a Prefeitura segue contratando sem limites, sem processo seletivo e em total desrespeito à lei”, desabafou um dos candidatos.
Eles destacam que todas as etapas legais foram cumpridas, e que a suspensão serve apenas para manter os interesses políticos da atual gestão. “A verdade é que estão dificultando o acesso dos aprovados às vagas conquistadas com muito esforço, para favorecer contratos temporários que atendem a apadrinhamentos”, denunciam.
O espaço está aberto para quaisquer posicionamento da Prefeitura de Bertolínia.






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