RSS
  Whatsapp

A conta do descaso: o alto preço da transição apressada da Águas do Piauí

Compartilhar

 

A promessa era de transformação. Com a chegada da Águas do Piauí, esperava-se que o abastecimento de água e o saneamento básico finalmente alcançassem padrões dignos em Floriano e nas demais cidades piauienses. No entanto, o que se vê hoje é uma realidade marcada por falhas, insatisfação e um custo social que recai, como sempre, sobre os mais pobres.

Em Floriano, relatos de falta d’água, baixa pressão nas torneiras e demora no atendimento se tornaram rotina. A população, que já enfrentava dificuldades com a Agespisa, agora se vê diante de uma nova concessionária que, apesar dos investimentos anunciados, ainda não conseguiu garantir o básico: água limpa e regular. E não é só Floriano. Cidades como Miguel Alves, Picos e Uruçuí também enfrentam problemas semelhantes, mesmo após ações emergenciais e promessas de modernização.

A pressa em extinguir a Agespisa e transferir os serviços à Águas do Piauí parece ter ignorado um princípio fundamental: transições estruturais exigem planejamento, diálogo e respeito aos trabalhadores e à população. O governo estadual, ao sancionar a extinção da Agespisa, deixou centenas de servidores em situação de incerteza, sem garantias claras de realocação ou manutenção de seus direitos. E enquanto isso, quem sofre com o serviço precário não são os gestores ou os investidores — são os moradores das periferias, das zonas rurais, das áreas mais vulneráveis.

A tarifa social, que promete desconto para famílias de baixa renda, é uma medida importante, mas insuficiente diante da precariedade do serviço. Afinal, de que adianta pagar menos por algo que não chega à torneira? A universalização do saneamento é uma meta nobre, mas não pode ser usada como escudo para justificar falhas operacionais e decisões políticas que atropelam o debate público.

Mudar de qualquer jeito tem um preço. E esse preço, infelizmente, não será pago por quem decidiu — mas por quem depende. É hora de cobrar responsabilidade, transparência e compromisso real com a dignidade dos piauienses. Porque água não é luxo. É direito.

Denilson Avelino
Jornalista profissional (DRT 2387/PI)
Cientista Político

Mais de Opinião