Quem poderia imaginar que, logo no primeiro dia de setembro, presenciaríamos uma das maiores reviravoltas da história política brasileira? Nem Spielberg criaria um roteiro assim. Mas o Brasil, definitivamente, não é para amadores. Hoje, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, foi do céu ao inferno e se encontra no centro de um escândalo cujas peças se encaixam como em um tabuleiro de xadrez. O país testemunha uma metamorfose catastrófica: o incansável “guardião da democracia” transformou-se no mais permissivo conselheiro do banqueiro Daniel Vorcaro.
Vale lembrar que, até pouco tempo atrás, Moraes ostentava a aura do herói inflexível. Nos julgamentos dos atos de 8 de janeiro, sua retórica era firme: sem anistia e com o rigor máximo da lei contra quem ameaçasse a ordem constitucional. A opinião pública o coroou, a imprensa o aplaudiu e a classe política recuou. Mas qual herói não vive o bastante para se tornar vilão? Longe dos holofotes, o homem que fazia tremer extremistas figurava como “Eu STF” na agenda do banqueiro.
O poder e a blindagem de Moraes sempre foram tão vastos que nem mesmo os contratos milionários do escritório de sua família com o Banco Master pareciam capazes de arranhar sua reputação. Contudo, com as novas revelações — que envolvem cartões de crédito com limite de R$ 300 mil e declarações de amizade “para a vida” —, fica difícil acreditar nas instituições. E fica ainda mais insustentável a sua permanência no cargo. Ainda assim, como dito no início: este país não é para amadores.
Não se surpreenda se todo este alvoroço for soterrado por uma nova pauta em poucas semanas. A lição que resta é antiga: de tempos em tempos, o brasileiro elege um novo “salvador da pátria” para se orgulhar — e, inevitavelmente, se decepcionar logo em seguida.






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