A região de Floriano (PI) e Barão de Grajaú (MA) vive momentos de monitoramento intensivo nesta segunda-feira (09/03/2026). O Rio Parnaíba ultrapassou a cota de alerta, atingindo a marca de 6,99 metros, superando o limite de segurança de 6,80 metros estabelecido pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB). O cenário é resultado de uma combinação perigosa de fatores hidrológicos que coloca as comunidades ribeirinhas em situação de vulnerabilidade.
O principal motor da elevação repentina foi o aumento drástico da vazão na Usina Hidrelétrica de Boa Esperança, em Guadalupe. Para controlar o volume do reservatório, que já opera acima de 82% de sua capacidade, a defluência foi dobrada, saltando de 800 m³/s para 1.600 m³/s no último fim de semana. No entanto, o volume que desce da barragem não é o único desafio: o Rio Gurguéia, um dos maiores afluentes da margem direita do Parnaíba, também apresenta níveis críticos.
Com as fortes chuvas registradas recentemente no sul do estado — onde cidades como São Gonçalo do Gurguéia e Corrente sofreram com transbordamentos e isolamento — o grande volume de água despejado pelo Gurguéia encontra o leito do Parnaíba já pressionado. Esse encontro de águas dificulta o escoamento natural e acelera a subida do nível em Floriano, criando um efeito de represamento que pode elevar o rio em até 25 cm nas próximas horas, aproximando-o da cota de inundação.
Para agravar o quadro, a previsão meteorológica para Floriano indica uma semana de forte instabilidade. Com o solo já saturado após acumulados que chegaram a 146 mm, a previsão de novas tempestades com até 90% de probabilidade para os próximos dias mantém o alerta ligado. A Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros reforçaram o patrulhamento na orla e orientam que moradores de áreas baixas e donos de estabelecimentos comerciais no cais iniciem protocolos de segurança, como o levantamento de móveis e o desligamento de redes elétricas em caso de invasão das águas. A recomendação atual é de vigilância total, dado que a bacia do Parnaíba recebe agora a carga combinada da operação da barragem, da cheia dos afluentes e das chuvas locais.








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